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Linha do Tua


Beleza Rara



 Linha do tua, é , ou diríamos mesmo,era uma ligação ferroviária, com 134 kms de extensão que ligava, por um percurso sinuoso, a foz do Rio Douro até Mirandela, atravessando o planalto transmontano, a uma altitude cada vez maior, até Bragança.
Constìtuiu um dos maiores desafios da engenharia portuguesa do século XIX.
Foi construída em 2 fases, primeiramente troço Foz do Tua e Mirandela, inaugurado em 1887, com a presença de El rei Dom Luís, da Rainha D. Maria Pia, e de muitos convidados ilustres, como por exemplo, o artista Rafael Bordalo Pinheiro.

Imagem: Inauguração da linha do tua ,de Rafael Bordalo Pinheiro,reportagem em banda desenhada publicada em “pontos nos iis, 14 de Out.1887.

Os restantes 73,5 Kms até Bragança ficaram concluídos em 1906.

A construção esteve a cargo da companhia Nacional de caminhos de ferro.
As locomotivas tinham os nomes de “Vila Real” e “Mirandela” e foram benzidas pelo Bispo de Bragança.
Estação Mirandela, Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”


                         Estação Mirandela 2011, Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”

Pode considerar-se uma das linhas mais bonitas do mundo, infelizmente já desactivada, mas tem uma história de glória, alegria, esforço humano,idealizada para diminuir o isolamento e inacessibilidade do interior do país.
 O seu contexto paisagístico e geográfico é o mais impressionante de toda a rede ferroviária portuguesa.


Em 1947, a exploração da linha passa para a CP e começa a deteriorar-se, factores como a degradação das infraestruturas, baixa densidade populacional, má articulação com a restante rede ferroviária, com os transportes rodoviários, inadequação dos horários, etc...
A entrada de Portugal na CEE e os interesses das redes rodóviarias, acabam com as linha ferroviárias com pouco retorno economico.
Em 1980 desaparecem as locomotivas a vapor, a 15-12-1991  é encerrado o troço Mirandela-Bragança.
O encerramento da Linha do Tua teve um impacto negativo nas localidades que servia, causando graves danos na economia local, desemprego, emigração e despovoamento.
Em 1995 é inaugurado o Metropolitano de Mirandela, e mais tarde, em 2004, é inaugurada a estação rodoviária de Bragança, no edifício da estação.
Grande parte do material de tracção utilizado foi vendido.
Túnel das Fragas Más , Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”

Túnel das fragas más ,2011 , Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”


Em 2006 são anunciados planos para construir uma barragem no Vale do Tua, que levaria á submersão dos primeiros kilometros da linha.
Entre 2007 e 2008 ocorrem vários acidentes , que leva,  junto com o desinvestimento na linha e a decisão governamental de prosseguir com a construção da barragem, ao seu encerramento definitivo.
A barragem submergiu 16 kms da linha, cortando ligação à rede ferroviária nacional, destruindo o seu futuro aproveitamento.
Hoje, a maioria da linha encontra-se encerrada e está apenas em funcionamento um troço de 16 km ao serviço do Metropolitano de Mirandela.
Mas hoje, ainda é possível percorrer a linha do tua a pé, contemplar uma paisagem magnífica, compreender como o comboio se fundia com o terreno...
Túnel das Prezas, Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”

Túnel das prezas 2011, Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”
“ o comboio foi, durante muitos anos, o único meio de transporte e de ligação de algumas aldeias ao mundo envolvente e exterior.
Em bancos de madeira ou já almofadados, circularam os magalas e os militares, os estudantes, os feirantes, os agricultores, os funcionários da CP, os professores, os médicos, os doentes que iam ser internados em hospitais de Lisboa e, depois, do Porto.A população, em geral. Circularam o correio, as encomendas e as ricas mercadorias da região: a cortiça, o vinho, o azeite, a fruta, a carne, o fumeiro, os folares, o minério, a madeira, as rolhas e outros derivados da cortiça...
A hospitalidade transmontana, mas também por vezes a animosidade, transvasavam e o comboio ganhava vida, porque as pessoas: comiam os seus farnéis, bebiam, conviviam, cantavam, contavam histórias, actualizavam notícias, falavam acerca de preços de bens e serviços, do preço dos animais e de produtos locais...
As escolas e feiras locais contavam com o comboio.As estações e apeadeiros sentiam o pulsar da vida e o ritmo constante da chegada e da partida...- Livro “ memória oral e história do vale do tua:materiais de um projecto
Pontes do Vieiro e Abreiro , Livro- “ A linha do Tua, 1887, e as fotografias de E.Biel”




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